Neste um mês e meio de família, muito me flagrei pensando em "como que eu dou conta" do turbilhão que é acolher os filhos de maneira que eles consigam se desenvolver plenamente e num ambiente saudável. Rotina mais ou menos cumprida, nós quatro visivelmente mais integrados e cúmplices, mas muitas coisas inquietantes e NOVAS surgindo.
Estamos com duas crianças com necessidades muito diferentes, uma pré-adolescente desafiadora e um menino desafiante. Enquanto a minha filha está aprendendo a se desvencilhar de algumas obrigações que ela mesmo se impôs, sobre cuidados com o irmão; o meu filho está aprendendo a amadurecer e sair do papel de bebê da própria irmã. Ela se permite ser cuidada, amparada, ensinada. Ele percebe que não é um bebê, e que pode ser responsável por suas coisas e que sabe expressar suas vontades sem a permissão da irmã. Ao mesmo tempo, deixar de representar papéis tão fortemente aprendidos é um processo difícil para todos nós. As verdades da minha filha não podem ser ignoradas, afinal, ela deu conta de si mesma e do irmão por muito tempo. Não posso deixar de ouví-la, de dar importância ao seu olhar e aos seus pequenos conselhos sobre como a vida poderia transcorrer. Não posso negligenciar a imaturidade do meu filho em lidar com seus sentimentos, seus cuidados e sua inabilidade em traduzir sem sua intérprete o que sente. A ligação entre eles é sólida, faz parecer que eles são um conjunto indissociável, que só existirão como "pacote" irmã-irmão.
Perceber que cada um tem uma personalidade e precisa de coisas-palavras-atitudes diferentes é um desafio para todos nós. Nem eles se percebem como indivíduos, tudo precisa ser duplicado e exatamente igual. As pequenas queixas como "ele ganhou mais suco", ou "você fez cosquinha só nela" são mais do que ciúmes. Parece que possuem cronômetros internos que contabilizam a duração dos abraços e beijos de boa-noite... Como mãe e pai, não nos furtamos de dividir nosso tempo, ou melhor, de compartilhar o nosso tempo qualitativamente com os dois. Mas estamos priorizando desenvolver relacionamentos mãe-filha, mãe- filho, pai-filha, pai-filho e todas as variantes possíveis.
Mas vejam bem, as tentativas são cravejadas de incertezas. A "mochilinha" da culpa (metáfora que li no grupo "pediatria radical") da maternidade já está sendo preenchida com a bagagem do dia a dia. Acertar é o objetivo, mas sei que a história de cada um deles já começou a ser escrita há tempos...
Nossos primeiros passos foram dados, todos de mãos dadas. Estamos aprendendo a dar espaço e a possibilitar que cresçam em todos os sentidos. Eles estão aprendendo a nos dar espaço em suas preciosas vidas!
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