sexta-feira, 18 de julho de 2014

90 dias de família

Notáveis diferenças em cada um de nós estão gritantes. Meus filhos, cada dia mais meus filhos: estamos nos tornando parecidos, aquela coisa de trejeitos, expressão facial... e o mistério. Os sorrisos estão cada vez mais iguais. Parecemos uma família de longa data. Eles estão progredindo a passos, saltos, na escola. E segundo comentários gerais, eu estou transpirando felicidade. (E estou mesmo).
Todas as adaptações ainda estão acontecendo. Especialmente no que diz respeito à rotina de trabalho dos dois adultos, que têm horários flexíveis e homeworking. Ainda é um desafio equilibrar os pimpolhos em casa e a necessidade de estar trabalhando. Nossa necessidade agora é muito mais de ordem prática do que emocional: estabelecer um canto onde seja "escritório", e não a creche do papai!
Durante a semana, fizemos uma listagem de tudo que aprendemos juntos. As coisas que eles elencaram foram bastante tocantes. Coisas simplórias aos olhos de outras crianças, mas super relevantes para ambos:
conheceram o caqui e a tangerina, elevadas à quitutes do quilate do brigadeiro. Aprenderam a segurar a xícara pela alça. Aprenderam a escovar os dentes corretamente. A tomar banho sozinhos e lavar todos os pormenores. Aprenderam a falar "voa", "aumenta", "pause" (avoa, alteia e pauser ficaram para trás). Conheceram diversas pessoas da nova família, e se apaixonaram por elas. Aprenderam a esperar, a não gritar, a tirar a louça usada da mesa. E nós, os pais? Aprendemos a priorizar o bem-estar dos nossos filhos. Acima da dor-de-barriga, do sono, do cansaço, do telefonema importante, do treino de corrida, do momento com os amigos. Aprendemos a ser um poço de paciência, a responder mil vezes  a mesma pergunta, a contar até 10 antes de pedir pela centésima vez para não colocarem o pé no sofá. Aprender a segurar o choro quando ficam doentes, a ter sangue-frio e passar segurança. Aprendemos a consolar aquela tristezinha de saudades, a não pressionar, a deixar fluir. A estimular no momento certo, a deixar livre para correr. Aprendemos a não dar ouvidos aos pessimistas. Aprendemos a não nos deixar levar pela empolgação.
Espontaneamente, meus filhos concluíram que hoje estão mais felizes, mais confiantes, mais amados. Uma declaração de amor no meio de uma viagem: "a gente está muito feliz em sermos filhos de vocês; não escolheríamos mais ficar com a família biológica". Antes de mais nada, não, não existiria essa possibilidade. Mas este reconhecimento foi o que eu precisava ouvir. Eles estão felizes, sentem-se parte de nós, e isto é o o mais importante!
 

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